Olhares no E-mail

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Perca a Chave






Se você olhar para mim;
Não verá mais em meus lábios
Os velhos sorrisos destinados
Á tua pessoa, não mais.
Se olhar para mim;
Você verá uma face pálida e morta.
Um olhar distante e vazio
Pedindo que você vá embora...
Eu adoeci nos teus braços;
E só longe deles poderei me salvar.
Vá embora e feche a porta;
Lá fora a vida berra;
Chamando-me pra brincar.




Lu Monteiro
2003

terça-feira, 28 de abril de 2009

Amor inútil


Amor, onde você está?
Será que você existe?
Cansei de te esperar.
Amor, minhas palavras se foram,
E se foram com elas as minhas lágrimas,
Os meus sorrisos;
O meu sono;
As minhas esperanças;
As canções e lembranças... Todas.
Minha alma? Não sei.
Tudo, tudo sinto cair num abismo
Que meu próprio coração criou
Para me afastar de você...
Oh amor...
Porque deixou em mim essa dúvida de saber se o tive?
Toda vez que eu pensei estar amando,
Você virava meus sentimentos de ponta-cabeça, e
Transformava-se num monstro!
Era sempre você amor?
Oh que horror...
Príncipes não mais existem, sapos sim...
Irei queimar os contos infantis
Que colocam no fim: “final feliz”




Lu Monteiro
2003

quinta-feira, 19 de março de 2009

Abstratos




somos abstratos na história de nós mesmos... nos perdemos mil vezes dentro de nossos desejos, embora diferentes, somos tão iguais que às vezes nem sabemos quem é quem, se sou você ou se você sou eu... nunca te amei em segredo e nunca vou te amar calada, pois meu amor é histérico.


Lu Monteiro
Março/2009

terça-feira, 10 de março de 2009

Espelho



Hoje à noite ouvi um grito.
Não tive medo e o segui...
Era um labirinto escuro;
Levou-me a uma imagem pálida e triste...
Oh é um espelho!
Valha-me deus, ali sou eu...
Lu Monteiro
2002

quinta-feira, 5 de março de 2009

Estrada



Pulo muros; Atravesso ruas,
Às vezes grito, e as pessoas parecem
Não se importar com a minha histeria,
Então me calo, viajo, ajo.
A poeira da estrada me cega por uns instantes;
Então sento e espero.
Há zumbidos em meus ouvidos,
Mas por outro lado eu caminho
Sem me importar com os meus constantes delírios.
Talvez eu seja inconstante e ande,
Caminhe, mas por estradas empoeiradas, jamais...




Lu Monteiro


2003

Tudo quase




Que vontade me veio agora!
Quase que fujo;
Quase que enlouqueço;
Quase que grito!
Mas como gritar se me calam os lábios?
Antes fossem calados com os teus...
Oh tortuosas lembranças!
Quando hei de te ver?
No, no te sei dizer...








Lu Monteiro


2002

Desafino




Tuas palavras eram canções,
Bonitas canções que me faziam sonhar...
Com o tempo,
Tuas palavras viraram sonhos,
Bonitos sonhos que não mais vivi...




A realidade eram palavras desafinadas
A estuprar os meus ouvidos,
E com o passar das estações,
Ela deixou de me tocar e eu não mais as ouvi...

PS: para ti que as lê, mas não as sente como eu, mesmo assim está ciente que foram feitas, mas sem saber que as fiz para que se lembre que não sofro mais por ti!






Lu Monteiro


2001

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pegadas



Atravesso a rua, e o sinal está fechado.
O trajeto é interrompido por esbarrões, mas não paro...
O vento bagunça os meus cabelos, e eu o ajeito.
Sento num banquinho da uma praça qualquer
E observo os olhares inconstantes,
Sem direções certas, medos,
Felicidades externas com olhares odiosos... Isso eu ignoro.

Olho para o meu relógio e vejo que já esta tarde.
Levanto-me e caminho,
Minha direção é certa,
Na volta estilhaços de vidro no chão
E no reflexo da chuva que começou a cair,
Vejo que o meu olhar não é diferente de ninguém,
Então me calo e volto para a realidade que me persegue,
Olho para trás e só vejo pegadas...



Lu Monteiro
06/2003

Dramático




O que será de mim?
O que será de minha alma e
De toda a minha existência
Sem o néctar de seus lábios colossais?
Não eram eles que morriam nos meus?
Beijo então o acaso que o fez passar por mim...
Os bilhetinhos melosos cansei de escrever.
Com estas palavras me despeço: “jaz aqui, o coração
De uma poeta cansado de esperar os beijos teus.”
Dramático, mas foi o que senti.
Lu Monteiro
06/2003

Gritos


Eu te aceitei...
... Não me toquei...
Calei-me... Iludi-me.
Eu te amei, te idolatrei e me perdi;
Eu não me amei...
Eu gritei!
Libertei-me;
Encontrei-me;
Disse-te adeus e acordei.
Eu te chutei;
Eu não chorei.
Eu estou feliz! Eu viverei, mas para ti... Jamais!
Se não ouviu, repetirei: A-d-e-u-s!
Não te amo mais...

Lu Monteiro
06/2003

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O que for




Amor, o que é essa dor?
O que preciso fazer para torná-lo mortal?
Meu gosto já não é gosto
E eu nem sei o que isso é...
Talvez gosto doce, ou
Amargo de pensar que o tenho.
Retorno a perguntar: - o que é o amor?
É perigoso se perguntar, eu sei,
Pois o sinto penetrar em meus
Mais inacessíveis desejos: amar por
O sentir, e ser amada por o enxergarem em mim.
Eu não sei se ele realmente é a felicidade
Como para muitos lhe parece,
Mas para mim, que sou poeta,
Ele ainda não se mostrou.
Se algum dia eu acreditei o achar,
Ele veio em dor, e talvez,
Por esse motivo,
Eu ainda o descreva pensando que
Seja um tesouro causador de sofrimentos,
E finja que ele possa viver
Embaixo do meu travesseiro,
E sendo o que for, achar que é amor.
Lu Monteiro
06/2003